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brevemente

VISÃO

A Universidade Rovuma pretende ser uma instituição de ensino superior de qualidade e excelência no processo de ensino e aprendizagem e nos serviços de pesquisa e extensão a nível nacional, regional e internacional.

MISSÃO

A Universidade Rovuma tem como missão formar técnicos superiores com qualidade de modo a que contribuam de forma criativa para um desenvolvimento económico sociocultural sustentável.

VALORES

Excelência Académica | Cultura Académica | Liberdade de Pensamento e de expressão | Autonomia | Internacionalização | Humanismo e Integridade | Igualdade e Equidade | Reforço da cidadania, do patriotismo, da consciência cívica e ética | Laicidade | Inserção comunitária | Inovação e criatividade

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O pós-doutorando Domingos Lusitaneo Pier Macuvele, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi um dos 660 jovens cientistas selecionados para participar do 70º Lindau Nobel Laureate Meeting. O evento promove anualmente encontros entre os mais promissores pesquisadores do mundo e vencedores do Prêmio Nobel. A próxima edição está programada para ocorrer de 28 de junho a 3 de julho na cidade de Lindau, na Alemanha.

“Nem nos meus maiores sonhos eu poderia imaginar que um dia participaria de um evento como este que reúne cerca de 70 vencedores do prêmio Nobel (Física, Química e Fisiologia/Medicina) e estar entre os jovens cientistas mais brilhantes do planeta. É uma honra e tanto. Essa conquista é como se fosse o resumo de tudo que já fiz academicamente até agora”, afirma o pesquisador.

Em outubro de 2019, Domingos recebeu um e-mail da Lindau Nobel Laureate informando que a Academia Mundial de Ciências o havia indicado para participar do evento. “No começo até achei que fosse um spam, pois pelo conteúdo da mesma, para mim era muita coisa. Não sabia que o nosso trabalho estava sendo visto e valorizado desta forma, até a ponto de sermos indicados para um evento desta magnitude”, conta. Na sequência, depois de verificar a veracidade da mensagem, cadastrou-se no sistema do evento. A confirmação de sua seleção veio em março.

Domingos é moçambicano, graduou-se em Química pela Universidade Pedagógica de Moçambique, tem mestrado em Química e Biotecnologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e doutorado em Engenharia Química pela UFSC. Atualmente, realiza pós-doutorado no Laboratório de Materiais e Computação Científica, do Departamento de Engenharia Química e de Alimentos, sob supervisão do professor Humberto Gracher Riella. Também atua como professor na Universidade Rovuma – Extensão de Niassa, de Moçambique.

 

Laboratório de Materiais e Computação Científica

O jovem cientista está envolvido na síntese de materiais para aplicações biomédicas e ambientais. A vertente ambiental envolve pesquisas sobre nanoestruturas para remoção de contaminantes emergentes em meio aquoso. Entre esses contaminantes, incluem-se pesticidas, fármacos e microplásticos – substâncias que no passado não eram consideradas como contaminantes.

Já o trabalho com aplicações biomédicas tem como objetivo melhorar as propriedades de um polímero usado na produção de componentes de próteses para substituição total ou parcial de articulações. “No doutorado tivemos resultados muito promissores e agora no pós-doutorado estamos melhorando o material e realizando alguns ensaios biológicos que não foram realizados durante o doutorado”, explica. “Desde cedo sempre tive essa vontade de ajudar a humanidade a resolver vários problemas de saúde. Outra inspiração dessa componente biomédica surgiu das práticas das comunidades, como o uso de plantas ou argilas para aliviar a dor”, complementa.

 

“Ninguém chega distante sozinho”

Parte de uma família com 14 membros – um pai, duas mães e dez irmãos –, Domingos foi o primeiro a entrar no ensino superior. Sobreviveu a uma guerra civil que durou cerca de 16 anos (1976-1992) e enfrentou uma série de dificuldades para seguir com os estudos. “Naquele tempo as escolas eram muito precárias. Só para ter uma ideia, algumas turmas estudavam embaixo das árvores, salas não tinham carteira, e os alunos sentavam no chão. Entrei no ensino secundário em 2000, a escola distava cerca de uma hora caminhando muito rápido”, relata. Entrou na universidade com auxílio de um amigo, que ofereceu exames anteriores, livro e uma dedicatória de incentivo.

“Tive professores na Universidade Pedagógica da Beira que me incentivaram muito a pensar distante e acreditar no meu potencial para seguir adiante. Lembro-me do meu orientador (com quem ainda mantenho contato) que ainda em 2007 já me chamava de cientista.” Em 2011, conseguiu uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o mestrado. “Não me esqueço da professora Marilia e do professor Euzébio, da Federal da Alagoas, que sempre me incentivaram a fazer o doutorado. Sou muito grato a eles e aos demais professores do IQB [Instituto de Química e Biotecnologia]. Então, aliado a tudo isso, estou muito entusiasmado e não vejo a hora de o evento acontecer. É importante destacar que a distinção é pessoal, mas eu tenho a consciência e a certeza que ninguém chega distante sozinho”, enfatiza.

Domingos também faz questão de destacar sua gratidão aos professores Humberto Gracher Riella, Cíntia Soares e Natan Padoin, do Laboratório de Materiais e Computação Científica, ao colegas, às instituições de financiamento e às universidades nas quais estudou. “Não me esqueço de agradecer aos amigos, família, a namorada entre outros que sempre me incentivaram e apoiaram em todos os momentos que sempre precisei. Esta conquista é nossa e sobre tudo da UFSC.” E reforça: “Além do esforço que cada um realiza para atingir um determinado objetivo, as oportunidades e as pessoas ao seu redor fazem muita diferença. Na ciência não é exceção, existe muita gente genial, mas que não explora o máximo o seu potencial por falta de oportunidades”.

 

Camila Raposo/Agecom/UFSC

Fonte: https://noticias.ufsc.br/2020/03/pos-doutorando-e-selecionado-para-participar-de-encontro-com-premios-nobel/